Um Livro Quase Perfeito
Um empresário envenenado, uma família inteira sob suspeita e Miss Marple em cena. Nicole resenha Agatha Christie e o único detalhe que impede o livro de ser perfeito.
O livro Cem Gramas de Centeio, de Agatha Christie, é uma obra quase perfeita. A versão que li foi adaptada por Milton Person, tornando a leitura mais acessível para o público jovem. Publicado em 2016 pela editora Harper Collins, o livro possui 223 páginas e uma capa de excelente qualidade, com ilustrações que remetem diretamente à trama de mistério.
A história gira em torno do envenenamento do Sr. Fortescue, um empresário de Londres na década de 1950. O Inspetor Neele assume a investigação e é surpreendido pelo surgimento de novas vítimas. É então que entra em cena Miss Marple, uma senhora com um faro infalível para a justiça, que passa a auxiliá-lo. O enredo destaca as tensões de uma família que vive em conflito, colocando todos os parentes do Sr. Fortescue sob suspeita.
A escrita de Christie é magnética, como demonstra este trecho da página 9:
“Foi então que ouviu um ruído anormal do outro lado da porta quase à prova de som da sala do Sr. Fortescue. Abalado, mas perfeitamente audível, um grito de agonia estrangulado. No mesmo instante a campainha da mesa da srta. Grosvenor tocou frenética, demoradamente.”
Como Margaret Maron relata na contracapa, Agatha Christie é uma mestra na arte da dissimulação, sempre nos levando por pistas falsas enquanto o óbvio está diante de nossos olhos. O único ponto que impede a perfeição da obra é a economia da autora nas descrições dos personagens; muitas vezes, eles são introduzidos sem características físicas detalhadas, o que pode dificultar a conexão nos capítulos iniciais. No entanto, ao longo da leitura, passamos a imaginar cada um à nossa maneira.
Recomendo fortemente este livro, especialmente para leitores jovens, devido à adaptação, mas adultos também se sentirão desafiados por esse final surpreendente que supera todas as expectativas.
Por Nicole Vaz